Entrevista com Eduardo Favilla

entrevista eduardo favilla

 

1 – Eduardo, nós sabemos que desde criança você gostava de corridas. Você lembra de como isso começou? Como foi andar pela primeira vez de Kart? Com quantos anos foi sua primeira corrida?

Primeiramente quero agradecer a oportunidade para contar um pouco mais sobre o mundo do kart e também sobre a minha participação nesse esporte. Me lembro sim, perfeitamente. Estava com 7 anos de idade quando pela primeira vez sentei em kart para pilotar. A sensação foi incrível e é até difícil explicar porque sentimento em si não são quaisquer palavras que conseguem descrever mas a certeza que tive naquele momento foi de que era aquilo que eu queria tentar fazer o resto da vida.

 

2 – Conte mais sobre a sua história, como evoluiu sua carreira do Brasil até os campeonatos internacionais.

Eu comecei a correr primeiramente pelas pistas de Kart Indoor na Cidade de São Paulo. Naquela época era fácil encontrar uma pois era um momento de ouro para o automobilismo brasileiro com o Ayrton Senna já tricampeão mundial de F1, então indo no embalo do sucesso dele muitos empresários se arriscaram em abrir pistas de kart pela cidade.  Conforme fui conhecendo as pistas, fui também criando rede de contatos que me convidavam para participar de pequenos campeonatos amadores e endurances que nada mais são do que corridas de longa duração.Tentei, sem sucesso devido a falta de recursos financeiros, migrar para o kart profissional, chegando a fazer testes com um kart de motor V4, que era o modelo utilizado pelos cadetes (nome da primeira categoria para quem começa no esporte profissional). Como não tinha esse amparo financeiro permaneci no kart amador até os 14 anos quando interrompi minhas corridas para focar nos estudos e em uma carreira, pois naquele momento não era possível financeiramente continuar mesmo no amador.

10 anos mais tarde, já estável financeiramente e na carreira, voltei ao kart amador e desde então não parei mais. De novo, fui começando em campeonatos menores até chegar a competir nos maiores campeonatos do país como a AMIKA, Kart for Friends, entre outros. Consegui algumas vitórias e títulos além de fazer amigos que vou levar para a vida toda e isso é o mais importante fora das pistas.

Em 2014 eu desembarquei na Irlanda para um programa de intercâmbio visando aprimorar meus conhecimentos na língua inglesa e aqui tive a oportunidade de conhecer o Deaf Kart que nada mais é do que competições de kart para pessoas portadoras de deficiência auditiva. E por ser também portador de deficiência auditiva (desde que nasci não ouço do ouvido esquerdo e tenho perda moderada do ouvido direito) me vi inteiramente identificado com a ação social que eles fazem através do esporte, no caso o automobilismo. O Deaf Kart me abriu muitas portas que sem dúvidas vou levar para a vida toda tudo o que estou aprendendo aqui com eles. Tive a felicidade de ser Campeão Europeu de Deaf Kart, representando a Irlanda (e também o Brasil) e trazendo para eles pela primeira vez na história o título para o país. Vê-los comemorando e me agradecendo é uma das cenas que jamais me esquecerei e só tenho a agradecer a todas as pessoas que me apoiaram e ajudaram a chegar até aqui.

 

3 – O que te motiva para continuar sempre evoluindo neste esporte? O que te inspira.

A motivação e a inspiração estão diretamente ligadas ao amor que tenho pelo esporte. O fato de amar o que faço me faz querer não parar e continuar conhecendo novas pistas, lugares, pilotos, campeonatos.  Vencer é uma consequência de vários fatores positivos que plantamos e futuramente colhemos. Dar o exemplo e criar novas fronteiras também me motiva a seguir em frente. Hoje sou o primeiro brasileiro aqui mas no futuro outros irão seguir esse mesmo caminho.

 

4 – Existe algo que você acha essencial falar para as pessoas e que não é muito divulgado, alguma curiosidade do mundo do kart?

O esporte em si nunca foi muito divulgado, teve o seu auge quando existiam brasileiros vencendo porém desde a morte do Ayrton Senna, muito do público que acompanhava deixou de fazer isso, os que ficaram são aqueles que realmente amam esse esporte. Também não há o apoio ideal por parte das federações, confederação, televisão, etc. Isso faz com que o esporte perca em publicidade, investimento. Uma prova disso é o fechamento do Autódromo Nelson Piquet no RJ, um dos mais importantes e tradicionais do país. Na contramão disso o kart amador brasileiro vem crescendo muito e conta hoje com vários campeonatos espalhados pelo Brasil, além de um Campeonato Brasileiro homologado pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) e um Campeonato Mundial que anualmente é realizado em algum país do mundo (em 2014 foi no Brasil e em 2015 será na Itália).

 

5 – Qual sua dica para quem está começando agora? Tanto para quem quer seguir carreira e para pessoas que fazem do kart um hobby.

Se você tem um sonho, independente se ele é financeiramente alto ou não, acredite nele. Lute por ele diariamente. Nenhum sonho se realizada da noite para o dia. Apesar de todas as dificuldades em um mundo difícil para aqueles que não são ouvintes eu me sinto realizado por todas as coisas que até hoje pude vivenciar além de me sentir motivado e preparado para o que ainda virá. O segredo da realização do sonho, ou do sucesso como prefira chamar, é o planejamento. Planejar, executar e colher os frutos. Esse é o ciclo. A 1 ano e meio atrás eu não imaginaria que estaria aqui hoje mas acreditei no sonho, planejei, executei e hoje estou colhendo os frutos..

 

6 – Se fosse praticar outro esporte, qual seria?

Eu pratico outro esporte desde criança, além do kart, que é o futebol, mais precisamente o futebol de salão mas já joguei, principalmente nos tempos de escola, handball, basquete e vôlei mas nenhum deles me dá a alegria e os desafios que o kart me proporciona.

 

7 – Deixe sua mensagem para as pessoas que gostam do seu trabalho.

Meu agradecimento vai primeiramente a minha família, especialmente meu pai, minha tia (irmã dele), meus avós paternos que sempre estiveram comigo torcendo e apoiando. Também aproveito a oportunidade para agradecer aos meus patrocinadores Mitsubishi, Santa Constancia, a Seda College, a Hand Talk, a Hard 8 e agora a Chilli por acreditarem e apoiarem o automobilismo através de minha carreira no kart. A Megafitmex e a 100% Go Ahead por estarem ao meu lado no início de tudo. A mídia pelo trabalho de cobertura no esporte através do portal Kart Amador SP.

A todos os organizadores de campeonatos de kart amador pois eles são responsáveis por manter a paixão pelo esporte acessa, mesmo quando o país, que tem 8 títulos mundiais da F1, não valoriza o esporte da maneira que deveria. Aos meus amigos, de dentro e fora das pistas. E a todos os que contribuíram de alguma maneira para que tudo isso fosse uma realidade hoje. Há muito mais por vir e farei questão de dividir as futuras conquistas com todos. Peço desculpas se não pude nomear a todos nessa resposta até por se tratar de muitos nomes que me ajudaram ao longo do tempo. Também agradeço ao blog por me disponibilizar esse espaço para contar um pouco de minha história.

 

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